Covid-19: para quem serve essa pandemia além, é claro, dos laboratórios?

Privilegiados querem que a Covid dure para sempre para manterem regalias e home office
Combate permanente para 'salvar vidas' tem de continuar, intacto e, com ele, todo o mundo maravilhoso de vantagens que veio para a minoria, a começar pela turma do trabalho remoto com viagem ao exterior e outras belezas

Imagine que você é um Ministro de um Tribunal Superior ou ocupe um cargo de confiança em uma autarquia, ganha uma fortuna por mês e está morando, digamos, em Portugal ou em uma praia paradisíaca qualquer. Recebe o salário pontualmente, a cada mês; pode até ter um aumento. Seu plano médico cinco estrelas está de pé. Continua tirando férias, com 30% de adicional, e mantém o 13º inteirinho. Só que não é mais preciso comparecer ao local de trabalho. Nada de horário para entrar, possivelmente a grande divisão diária entre quem trabalha de verdade e o resto da espécie humana. Nada de trânsito. Nada de estresse. Agora você se levanta à hora que quiser, faz caminhadas na praia de manhã, ou alguma outra atividade fisicamente correta, almoça coisas nutritivas e investe tempo "consigo mesmo" ou com a família, como recomendam os melhores consultores em qualidade de vida. A um momento qualquer, quando se sente preparado, senta-se na frente do computador e fica lá até julgar que terminou os trabalhos do dia. Que tal, como meio de ganhar a vida?

É melhor ainda do que parece. Preocupado, talvez, com uma possível desconfiança do povo em relação a essa história toda? Tentam convencer todos à sua volta, que o "trabalho à distância" é puxadíssimo. Dez em dez executivos e funcionários públicos que vivem hoje em trabalho remoto, no exterior, ou na praia, ou seja lá aonde for, dizem que estão "trabalhando muito mais" fora do escritório. Garantem que sua produtividade "aumentou". Que estão "mais focados", que o trabalho está mais "intenso" e por aí afora. É claro que dizem isso. Quem fiscaliza e julga o resultado do "trabalho à distância" são os próprios; são eles que medem as horas trabalhadas, os índices de produtividade e a eficácia do que fazem. São eles que atestam que assim é melhor.

A mãe de todo esse mundo admirável é a Covid-19. De um lado, a doença matou 5,5 milhões de pessoas através do mundo, arruinou vidas e causou a destruição econômica que seria causada por uma guerra nuclear. De outro, está sendo uma benção extraordinária para muita gente. Sem ela, não haveria praia paradisíaca, nem viagens ao exterior, nem salário integral sem sair de casa. Sem a Covid, aliás, não haveria nenhuma das maravilhas que mudaram para muito melhor a vida diária de algumas centenas de milhões de pessoas pelo mundo. À essa altura, o que ganharam se transformou em "direitos adquiridos". Precisam que a Covid continue para continuar com suas novas conquistas. Quem vai querer voltar às realidades do passado – e que continuam sendo as realidades do presente para a imensa maioria dos seres humanos? É por isso que, justo no momento em que a pandemia começou a ceder, apareceu a promoção desesperada da Ômicron – como tinham aparecido antes os 50 diferentes tons de "cepa". Para reforçar o impacto da nova "variante", socou-se no pacote pró-Covid a gripe comum, a influenza H 1000 N 5000, o resfriado, a dor de cabeça, a febre de 37 graus, o bicho-do-pé e tudo o mais que vier, de maneira que é praticamente impossível não estar doente hoje em dia.

Conclusão: o combate permanente para "salvar vidas" tem de continuar, intacto e, com ele, todo o mundo maravilhoso de vantagens que veio para a minoria, a começar pela turma dos altos cargos em Tribunais, no Congresso e nas Estatais.

Livre de vírus. www.avast.com.

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